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Qual o preço dos seus sonhos? Seu corpo fala sobre sua saúde emocional



Adriana Miranda, Mulher pensativa olhando pela janela, refletindo sobre escolhas e sonhos adormecidos
Você observa o mundo, mas ainda não se libertou de si mesma?

Cara leitora, antes de mergulharmos nas entrelinhas desta reflexão, permita-me uma breve explicação: não milito por ideologias do movimento feminista atual. Acredito que ele se perdeu em um viés político que, muitas vezes, alimenta ainda mais o desequilíbrio entre as energias Yin e Yang — forças complementares e essenciais para a saúde integral do nosso ser e da sociedade. Não há guerra entre os polos; há dança. Ou deveria haver.

Nestes últimos cinco anos atuando como terapeuta integrativa — e mais recentemente como psicanalista clínica —, tenho testemunhado, uma e outra vez, a morte simbólica do SER para que se possa apenas... sobreviver. Especialmente neste sistema que ainda carrega o nome de patriarcal, mesmo quando se disfarça de progresso.

Claro que não posso desconsiderar minha própria história. Sou uma mulher de 50 anos, filha de uma família tradicional, moldada nesse mesmo sistema. Mas como a alma disruptiva que sou, furei a bolha — e ainda hoje luto, diariamente, para curar as marcas invisíveis e o peso que elas deixaram. E é por isso que hoje escrevo. Este texto já sussurrava em meu coração, mas tomou corpo — e voz — depois que assisti a um filme que abalou minha estrutura emocional. Sim, estou falando de A Vida Invisível, de Karim Aïnouz.


Adriana Miranda Mulher segurando máscaras que representam os múltiplos papéis impostos pela sociedade
Sonhos adormecidos, vida represada

Quantos sonhos você precisou adormecer para assumir papéis impostos pela sociedade, pela família, pela vida?Quantas vezes silenciou os desejos mais ardentes do seu coração para caber no molde que te deram?

Ah, querida leitora, o filme reacendeu memórias ancestrais e atuais. Trouxe à tona um lembrete pungente: essa lógica de apagar nossos sonhos não é nova. Lembram-se? Mulheres foram queimadas porque sabiam demais, chamadas de bruxas por simplesmente tocarem saberes que não cabiam no mundo masculino. Foram amarradas, apedrejadas, caladas. E seguimos ouvindo, séculos depois, frases que mudaram pouco: “Mulher não pode isso, não pode aquilo; não pode saber mais, ganhar mais, ousar mais.” São tantos nãos que, quando percebemos, já estamos perdidas de nós mesmas.


Adriana Miranda Representação simbólica de mulheres ancestrais perseguidas por seu conhecimento e força.
A força e sabedoria das nossas ancestrais foi abafada pelo fogo

“Mas, Adriana, isso foi em outro tempo, outra cultura...” Será mesmo?

Feche os olhos por um instante. Avalie sua própria vida.Será que já não repetimos essas opressões, de maneira mais polida e silenciosa, dentro de nossos lares, trabalhos e escolhas? Talvez, sim. E talvez a geração da minha filha ou a próxima não carregue os mesmos pesos — mas isso terá custado o sofrimento de muitas mulheres corajosas que ousaram furar a bolha.

Mulheres como eu. Como você. Como tantas.

Mulheres da minha faixa etária conhecem bem esse aperto no peito. Vivem tentando encontrar espaço entre o que são e o que disseram que deveriam ser. E os homens? Também sofrem. Os que não se encaixam no molde endurecido do provedor infalível carregam culpas que não lhes pertencem: não sustentar a família, ganhar menos que a esposa, não conseguir expressar dor. Homens que choram em silêncio porque o sistema também os engoliu.

É um jogo de opressão que coloca Yin contra Yang. Que faz com que as polaridades guerreiem quando poderiam, juntas, gerar vida e equilíbrio.

Quantas pessoas, você acha, estão presas a diagnósticos psiquiátricos que, na verdade, são apenas sonhos sufocados? Emoções reprimidas durante décadas que, um dia, explodem em forma de psicose. Então, recebem uma prescrição, um rótulo, e tornam-se reféns. No filme, é evidente o surto da personagem após ver seu maior sonho impedido. "Louca", disseram. "Coitada."


Adriana Miranda Mulher expressando angústia emocional, representando dores invisíveis que afetam o corpo físico
Dores invisíveis também afetam o corpo físico

Mas será mesmo loucura seguir desejando aquilo que nos pulsa por dentro?

Agora, respire comigo e pense nas que, apesar de tudo, ousam seguir.Sim, aquelas que furam a bolha. Que estudam o que querem, mudam de cidade, enfrentam a família, superam traumas, reconstruindo-se a cada queda. Mulheres reais.E mesmo depois de tanta caminhada, de tantas conquistas... lá está ela, sozinha no escuro do seu quarto, enfrentando pensamentos que murmuram:“Você não pode ter tudo isso. Algo deve estar errado.”“Foi sempre tão difícil... Por que agora está fluindo?”“Uma mulher como você não deveria sonhar tão alto.”

Essas vozes não vêm do mundo. Vêm de dentro. Da sombra da nossa história. Do inconsciente que carrega, geração após geração, a ideia de que SER é perigoso.

Mas, cara leitora, o carvão ainda está em brasa. E basta uma pequena faísca — um gesto, um texto, um filme — para reacender a chama dos seus desejos mais autênticos.

Então, eu te pergunto com amor e firmeza:Qual o preço dos seus sonhos?E até quando você continuará pagando com a própria vida para caber num molde que nunca foi seu?

…E é nesse ponto que a maioria desiste.

Quando as dores antigas começam a gritar, o impulso é recuar. Mas deixa eu te contar uma coisa que talvez você ainda não tenha se dado conta: essas mágoas que você engole, essas lágrimas que você não chora, essas vontades que você sufoca para não desagradar ninguém... elas não desaparecem. Elas se transformam. E, na maioria das vezes, adoecem o corpo e seu corpo fala sobre sua saúde emocional.

O fígado, por exemplo, segundo "O Corpo Fala", é o grande acumulador da raiva reprimida. Aquela raiva que você não teve permissão para sentir, porque uma “boa moça” não se irrita. A garganta? Acumula tudo o que você não diz. Os “engasgos” emocionais que você empurra para dentro a vida inteira. O estômago, coitado, vira o repositório das angústias não digeridas — tudo aquilo que você engole para manter as aparências, a harmonia, o papel social que esperam de você. E a coluna? Carrega o peso de um mundo que não te pertence.



Adriana Miranda Mulher lendo e refletindo sobre as mensagens do corpo e suas emoções reprimidas.
Suas emoções reprimidas estão te enviando mensagem!

Quantas mulheres desenvolvem dores crônicas, problemas autoimunes, cistos, miomas, nódulos... tudo por segurar demais o que o corpo implora para liberar?

A verdade é que o corpo fala, grita, implora por mudança. E muitas vezes, a doença vem como último recurso da alma para te sacudir: “Ei, você ainda está aí dentro?”

E é aqui que eu te provoco, com todo o amor que há em mim: até quando você vai continuar apagando sua própria luz para caber nos moldes de uma sociedade que nunca te perguntou o que você realmente quer? Até quando vai continuar se diminuindo para não incomodar, para não ser chamada de egoísta, rebelde ou “difícil”?

Mudar seu padrão mental não significa virar as costas para tudo e todos. Significa, acima de tudo, se colocar como prioridade. Porque uma mulher conectada com seu propósito ilumina todos ao seu redor — exceto aqueles que se beneficiam da sua escuridão.

E se você ainda tem medo de deixar pessoas para trás, reflita com carinho: quem realmente caminha ao seu lado vibra com a sua luz. Quem tenta apagá-la, talvez nunca tenha caminhado de fato.

O preço dos seus sonhos não é o sacrifício da sua saúde, da sua alegria, da sua essência. O preço dos seus sonhos é a coragem de ser quem você é.

E você, mulher... está disposta a pagar esse preço?

Nos vemos no próximo capítulo — ou talvez, na sua própria revolução.


Com carinho,

Adriana Miranda

 

 

2 comentários

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Lubraz Terapias
Lubraz Terapias
16 de mai. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Texto maravilhoso! Reflexão tão necessária. Tenho sentido latente essa tentativa de apagamento por parte dos que me rodeiam, muito motivado por interesses individuais e egoistas… que sejamos resistência!

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Adriana Miranda
Adriana Miranda
21 de mai. de 2025
Respondendo a

Infelizmente acabamos nos deixando levar por algo tão enraizado na sociedade, né?! A questão aqui não é entrar em guerra com o masculino, muito pelo contrário, é buscar o equilibrio! Não existe yin sem yang, não existe luz sem sombra, e não existe feminino sem masculino. E vice e versa sempre! Mas não dá para continuar deixando a manipulação abafar quem somos! O caminho do meio é sempre melhor! Obrigada por estar aqui!

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