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Ser Mãe de Adolescente: Desafios, Dor e Amor na Construção de Laços Fortes


Adriana miranda ser mãe de adolescente
Os desafios na construção de laços fortes

Ser mãe de adolescentes é caminhar por uma corda bamba entre o amor incondicional e o medo constante. É olhar para um filho e enxergar o mundo inteiro pulsando dentro de um corpo em formação, muitas vezes rebelde, contraditório, faminto por autonomia, mas carente de direção. Recentemente, fomos abalados por notícias que escancaram, mais uma vez, as sombras que podem habitar a adolescência.

No caso que ganhou os noticiários neste mês, uma jovem de 17 anos foi envenenada pela própria amiga com um bolo de pote adulterado com arsênico. Uma história aparentemente simples, entre adolescentes que compartilhavam a vida, entre o ciúmes e a falta de estrutura emociona, tornou-se um trágico retrato de uma juventude adoecida, carente de limites, escuta e sentido. A "amiga" dormiu na casa daquela que ela envenenou, provavelmente chamou os pais de "tio", "tia", Abraçou o pai da garota que estava em desespero e disse: "vai ficar tudo bem". O caso resgata memórias do famoso caso Eloá, quando uma jovem de 15 anos foi mantida em cárcere privado e, posteriormente, assassinada por um ex-namorado que não aceitava o fim do relacionamento.

Ao olhar para essas histórias, o coração de mãe estremece. Mas o de filha também.

Com 19 anos, eu estava no segundo ano da faculdade de Psicologia quando conheci um rapaz que se dizia estudante de Medicina. Começamos um relacionamento e, em pouco tempo, os sinais de abuso e possessividade começaram a aparecer. Toda tentativa de término era respondida com perseguições, chantagens emocionais e ameaças veladas. Um dia, ele colocou uma aliança no meu dedo, contra a minha vontade. Eu dizia que não queria aquilo, que não iria me casar. Mas, sem saber como escapar, deixei como estava. Quando minha mãe viu a aliança, seu desespero não foi acolhido por compreensão, mas por raiva. Não soube como me ajudar. Brigou comigo, acreditando que era uma escolha minha. Em meio à discussão, me mandou embora de casa.

Fui. Com o coração partido, com o orgulho ferido, com medo. E fui parar na cova do leão.

Foram dois anos de abusos, de violências sutis e escancaradas. Até que consegui fugir. E me escondi... por quatro anos.


Hoje, com o conhecimento e depois de ressignificar os acontecimentos, não culpo minha mãe. Pelo contrário: compreendo sua limitação, sua falta de preparo emocional, sua dor em não saber lidar com algo que a assustava. Imagino como se sentiu a mãe do Lindemberg, vendo seu filho destruir uma vida. Como se sentiu a mãe da jovem envenenadora, ao se deparar com a verdade que saiu do seu ventre. E as mães de Eloá e da menina do bolo, vendo suas filhas serem traídas pela juventude que acreditavam ser segura.

Ser mãe de adolescentes é também se deparar com nossas próprias feridas não curadas. É ver nossos filhos repetindo padrões, tocando em dores antigas, nos testando o tempo todo. E nesse emaranhado de emoções, de culpas e tentativas, nos perguntamos: o que estamos fazendo pela nossa saúde mental para guiá-los com firmeza e amor?


Criar uma família com base sólida e moral não é tarefa que se ensina apenas com palavras. É algo que se sustenta na prática do autoconhecimento, na coragem de pedir ajuda, na humildade de reconhecer que erramos, mas seguimos aprendendo. É através de uma saúde mental bem cuidada que conseguimos ser esteio para nossos filhos quando o mundo parece ruir.

A adolescência é um portal. E cada mãe é uma guardiã dessa travessia.

Se queremos criar filhos que saibam fazer boas escolhas, precisamos antes ensinar, com o exemplo, como se caminha com coragem, responsabilidade e amor. E tudo isso começa dentro de nós.

Cultivar a própria saúde mental é um ato de amor ancestral. Por nós, por eles, e por tudo que ainda virá.

Agora quero ouvir você, mãe que me lê: como tem sido a sua experiência com a adolescência dos seus filhos? Quais os desafios que você enfrenta? Compartilhe nos comentários como você tem lidado com essa fase tão intensa e transformadora. Sua história pode acolher e inspirar outras mães que também buscam equilíbrio, força e amor nesse caminho.

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