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Quando o Feminino e o Masculino Param de Brigar Dentro da Gente - A exaustão feminina

Adriana Miranda quando o feminino e o masculino param de brigar entre a gente
Feminino x Masculino

Tem dias em que a gente só queria que o mundo parasse por uns minutinhos. A exaustão feminina é real! A louça suja, o e-mail não respondido, o cabelo que não obedece, o filho que grita "mãe!" pela 34ª vez no dia — tudo ao mesmo tempo, claro. E, lá no fundo, um desejo quase secreto: “Queria me sentir inteira... mas parece que estou sempre faltando em algum lugar.”

Talvez seja aqui que começa essa conversa. Porque a verdade é que muitas mulheres hoje vivem como se estivessem sendo puxadas por fios invisíveis, de um lado para o outro, como se algo nelas estivesse quebrado ou faltando. E, na maioria das vezes, ninguém contou pra elas que esse sentimento pode vir da separação que carregamos internamente: uma guerra silenciosa entre o nosso feminino e o nosso masculino.

Sim, dentro da gente vivem duas forças que, quando estão em paz, criam alquimia. Mas quando brigam... ah, minha amiga, criam é caos.

O feminino é aquele aspecto que sente, intui, acolhe, nutre. É a parte que escuta o silêncio, que dança descalça, que se emociona com uma folha caindo do galho — e tá tudo bem, isso é potência, não fraqueza. O masculino interno, por outro lado, é o que organiza, delimita, executa, foca. É ele quem diz: “Chega de enrolar, vamos fazer isso acontecer!”. Também é potência, e não frieza.

E quando digo que nada do que trago aqui é "sobre o feminismo", é porque entendo que o verdadeiro alicerce está na união dessas polaridades. A cura não vem do exaltar um e rejeitar o outro — vem do equilíbrio. O separatismo que o sistema patriarcal instaurou nos afastou dessa verdade, nos jogando em campos opostos, nos transformando em versões distorcidas de quem poderíamos ser. Esse modelo apagou, pouco a pouco, a chama de homens e mulheres que buscam seu despertar emocional e espiritual.



Adriana Miranda - feminino sagrado
Feminino Sagrado

Chega uma hora em que a gente cansa. Cansa de ver, ouvir e ler estereótipos reciclados: a mulher maravilha que dá conta de tudo, o homem macho provedor que nunca chora, a mulher submissa que silencia, o homem machista que oprime. Cansa de ver o divino sendo transformado em performance.

A coisa é muito mais profunda. Quando o feminino e o masculino param de brigar dentro da gente, mágicas acontecem!

Se quisermos construir um mundo verdadeiramente igualitário, precisamos reconhecer que até mesmo o movimento feminista — com toda sua força e necessidade histórica — em certos momentos, nos afastou ainda mais do nosso feminino sagrado. Queimar sutiãs talvez tenha sido um ato de coragem, mas não nos trouxe de volta ao ventre da nossa essência. Gritar que podemos tanto quanto eles — com os peitos à mostra e a voz cheia de razão — nos colocou numa trilha que reforçou a comparação, não a integração.

E é aqui que precisamos parar, respirar fundo e encarar a verdade: o feminino não está perdido, está escondido. O masculino não é o inimigo, está apenas exausto de tentar ser tudo sozinho (não só o masculino deles, mas principalmente o nosso).

Só que fomos ensinadas a viver em extremos. Ou somos “boazinhas demais” e esquecemos de nós mesmas, ou vestimos uma armadura e passamos por cima dos próprios sentimentos para provar que damos conta. Mas... dar conta de quê, mesmo?

Clarissa Pinkola Estés fala de uma loba dentro de nós. Selvagem, livre, instintiva. Ela sabe quando calar, quando uivar, quando fugir e quando ficar. Mas essa loba, coitada, passou anos sendo domesticada. Hoje, muitas de nós nem sabem que ela ainda vive ali, soterrada sob camadas de “tem que”, “não pode”, “isso não é coisa de moça”.



Adriana Miranda - a reconcialiação não acontece com rituais mirabolantes
Qual o reflexo do que está aí dentro?

Quando começamos a desacelerar, percebemos algo quase mágico: o que está fora é só o reflexo do que está dentro. A bagunça do dia, a falta de paciência, o cansaço crônico... tudo grita por uma reconciliação interna. E essa reconciliação não acontece com rituais mirabolantes nem com fórmulas mágicas — ela começa com um olhar honesto para dentro.

O equilíbrio não é um lugar zen onde nada te abala. É o ponto onde você entende que pode ser forte e sensível ao mesmo tempo. Que pode planejar a semana e ainda assim chorar vendo um comercial de margarina. Que pode dizer “não” com firmeza e “sim” com amor. Que pode ser mulher com todas as letras, sem precisar escolher entre ser deusa ou guerreira. Você é as duas. E mais.

Esse texto não é um manual. É um lembrete.

Você não está quebrada. Você só está separada de si mesma.

E talvez o primeiro passo para se reunir de volta seja parar de tentar ser só metade. Porque o divino dentro de você não quer perfeição — quer inteireza. Quer dança entre o feminino que acolhe e o masculino que realiza. Quer paz entre a loba e a rainha. Quer você inteira. Agora.

E olha, se quiser chorar lendo isso, chora. Se quiser rir, ri. Mas acima de tudo: sente. Porque é no sentir que a alma se reconecta. E é ali, no sagrado campo do sentir, que mora a mulher que você veio ser.


Com carinho, Adriana Miranda.

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