Quando o desapego dói mais do que o esperado
- Adriana Miranda
- 29 de mai. de 2025
- 5 min de leitura
O artigo de hoje é um relato pessoal, quase um diário. E desejo, do fundo do coração, que a mensagem desta semana chegue até sua alma porque as vezes o desapego dói mais do que o esperado!

Os últimos dias não foram fáceis. Muitas dores no corpo, dor de cabeça, cansaço, insônia... Uma mistura intensa: os sintomas da peri-menopausa gritando, enquanto meu corpo emocional ainda se agarrava a algo muito bom do passado — algo que precisava ser encerrado para abrir espaço para uma nova fase de crescimento e expansão, tanto profissional quanto pessoal.
Quero te contar, brevemente, um pouco da minha história, porque talvez você que está aqui comigo hoje ainda não a conheça.
Durante 20 anos, atuei em hospitais como técnica de enfermagem e instrumentadora cirúrgica. Minha missão de vida sempre foi cuidar de vidas, e como profissional da saúde, fiz isso com entrega e paixão. Sempre fui intensa, sensível e dedicada. Jamais aceitei a ideia de que um profissional da saúde deve ser frio ou indiferente à dor do outro. Ah, não! Eu sempre senti. Chorei junto (na medida do possível, claro) e me entreguei de corpo e alma.
Mas, infelizmente, o tempo de Florence passou, e o sistema hospitalar foi se deteriorando. Eu não tinha voz para lutar por uma saúde mais humana — afinal, “era apenas uma técnica de enfermagem”, com um potencial energético imenso, mas ainda calado.
Há 8 anos, quando minha mãe adoeceu e o câncer foi diagnosticado, entramos em uma fase muito intensa. Graças a Deus, eu trabalhava em um hospital referência em tratamento oncológico e consegui que ela fosse tratada por lá — um grande benefício por ser funcionária! Foram meses difíceis. Além do tratamento complicado, eu ouvia o tempo todo: “Você está preparada, né? Você sabe o que vai acontecer.” Eu ouvia o choro desesperado da minha mãe e engolia o meu.
Na primeira vez que ela foi para a UTI, não consegui segurar — chorei na frente dela. E ela me disse: “Não chora. Você é forte.” Meu Deus… que difícil!
Assim que ela teve alta e se estabilizou, escolheu voltar para a casa dela — afinal, cuidava da mãe idosa, que morava sozinha e também precisava dela. E foi aí que eu desabei. Entrei em uma depressão séria... Dei vazão à dor.
Alguns meses depois, recebi de presente o Nível 1 de Reiki — e foi aí que tudo começou: o processo de cura e transformação. Logo em seguida veio a pandemia, e enquanto o mundo se desesperava, eu mergulhava nos estudos sobre energia, vibração, ferramentas quânticas…
Durante esse processo, o artesanato surgiu como um aliado. Mais do que um refúgio, uma ferramenta terapêutica poderosa. Enquanto transformava uma peça crua de madeira em uma obra de arte, algo dentro de mim também se transformava. O que começou como um apoio pessoal, tornou-se uma nova profissão. Me tornei professora de artesanato e criei o método CurArte, baseado em cinco pilares: ressignificação, sonhos, meditação, artesanato e gratidão.

O método cresceu. Fui para a televisão. Meu canal do YouTube se expandiu, assim como meu Instagram. Em determinado momento, percebi que ajudava mais pessoas com o artesanato do que com a enfermagem — e então, encerrar esse ciclo foi leve, tranquilo, e profundamente gratificante.
Segui estudando. Me tornei radiestesista, psicanalista, especialista em recursos vibracionais… Tudo isso, ainda em paralelo com o artesanato. Até que, naturalmente, os atendimentos terapêuticos cresceram e o tempo para o artesanato foi diminuindo... até desaparecer.
Em setembro de 2024, decidi encerrar oficialmente o ciclo do artesanato como profissão. Mas, dessa vez, o fechamento não foi tão leve quanto antes. Fechei a porta do ateliê — e lá ficou tudo. A vida começou a me pedir, com insistência, que eu olhasse para aquilo. Muito material parado, com risco de estragar… Um espaço ocupando o lugar de algo maior que pedia para nascer.
No último final de semana, decidi que era hora de desapegar e desmontar o ateliê. Fui cheia de certezas. Mas não sabia que, junto com os materiais, havia emoções antigas, memórias profundas. A dor da doença da minha mãe. A felicidade do recomeço. A honra de ter ajudado tantas almas naquele espaço. Quantas mensagens recebi de pessoas dizendo que desistiram de tirar a própria vida porque assistiram a uma live minha, ouviram uma fala durante uma aula!
Que honra... E tudo isso parecia ir embora junto com as tintas, os pincéis, os recortes.Lá no fundo, meu inconsciente ainda não reconhecia que eu continuo ajudando vidas — e agora de forma muito mais assertiva, mais profunda, como terapeuta e professora de terapias integrativas.
Mas o inconsciente não é lógico. Ele apenas sente — e nos mostra o que ainda precisa ser olhado. A situação atual da minha mãe, que sim, está bem (graças a Deus), mas cuida da minha avó de 98 anos com Alzheimer, reativou o gatilho da dor. O limiar da perda, mais uma vez, bateu à porta — e meu corpo reagiu: dores de cabeça, enxaquecas, ansiedade...
Tudo isso somado aos sintomas da peri-menopausa, ao acúmulo de tarefas, e à bagunça física e emocional do desmonte do ateliê.
Não estamos preparadas para a perda. De uma mãe, uma avó, um pai, um filho… Por mais espiritualizadas que sejamos, o véu entre a vida e a morte ainda nos fere. Ainda nos desequilibra.
Mas eu percebi o que estava acontecendo — e reagi. Afinal, tenho inteligência energética para mudar meu padrão vibratório. Essa é uma das grandes verdades de ser terapeuta vibracional: poder aplicar em si mesma aquilo que ensinamos aos outros.
Hoje, decidi compartilhar esse relato porque sei que muitas mulheres vivem esse mesmo limiar de dor, essa confusão entre perdas do presente e dores não curadas do passado.
No fim das contas, não era sobre o artesanato. E entender isso me deixou mais leve.
A pergunta que me fiz — e deixo para você refletir — é:
Quanto peso você ainda carrega na sua mala, por dores escondidas no inconsciente?
De uma coisa eu tenho certeza: se não ressignificarmos verdadeiramente nossas dores, elas nos arrastam até o chão. Sem dó, sem piedade. Dizer: “Não quero olhar para isso agora” ou “É difícil demais” são frases que nos mantêm presas em padrões de dor e vitimismo que só aprofundam o sofrimento.
Você se abandona no inconsciente, e a ansiedade, a depressão e o cansaço te afastam cada vez mais da mulher maravilhosa que você é.
Lá atrás, quando eu disse: “Agora eu tenho espaço para sofrer”, eu entrei nesse padrão. Mas foi através do Reiki que eu me levantei, transformei meu padrão mental e me permiti ser quem eu vim para ser. Me permiti seguir minha missão: guiar mulheres que se perderam a reencontrar seus sonhos esquecidos.
Hoje, eu não aplico apenas técnicas. Eu leio campos. Eu sinto o que ainda não foi dito. Sou uma barqueira entre mundos — e atravesso com minhas clientes o invisível, até que elas possam tocar sua potência esquecida.
Eu me permiti. E você? Até quando vai carregar esses pesos?Até quando vai virar as costas para a sua própria transformação?
Te desejo vida. E vida em abundância.
Que minha história te inspire.
Com carinho,Adriana Miranda



Comentários